TUDO AZUL! Classic Blue é a cor do ano!

Atualizado: Set 8

por Rock Zanella


CLASSIC BLUE


Neste ano, quase passou despercebido a cor predominante da Pantone para o Home Decor – mas não na EAD HOME, onde valorizamos a moda casa, com todas as influências e new trends do mercado.


Os ambientes ganharam o AZUL aconchegante que veste salas, livings, jantares, lavabos, home offices, quartos e tantos outros ambientes. E já que o tom é AZUL, vamos conhecer um pouco mais esta fascinante paleta que seduz os amantes do Decor e do bom gosto há séculos.




UMA HISTÓRIA TODA AZUL


Dentre as três cores primárias, o azul contem uma ligeira mistura de cores, podendo ser “azure” com um pouco de verde ou “ultramar” com um pouco de violeta. Mas independente da sua exata tonalidade, fato é que esta cor tão marcante destaca-se na história desde os tempos mais antigos.


O “lapis lazuli” de pedra semipreciosa era usado no antigo Egito para joias e ornamentos e mais tarde, no Renascimento, para fazer o pigmento ultramarino, o mais caro de todos os pigmentos. No século VIII, os artistas chineses usavam o “azul cobalto” para colorir a porcelana azul e branca. Na Idade Média, os artistas europeus usavam nas janelas das catedrais. Os europeus usavam roupas coloridas com o corante vegetal até serem substituídas pelo índigo mais fino da América.

No século XIX, corantes e pigmentos azuis sintéticos substituíram gradualmente os pigmentos minerais e os corantes sintéticos. Azul escuro tornou-se uma cor comum para uniformes militares e, mais tarde, no final do século 20, para ternos de negócio. Como o azul tem sido comumente associado à harmonia, ele foi escolhido como a cor das bandeiras das Nações Unidas e da União Européia.


No Irã, na Mesopotâmia, no Afeganistão, na Babilônia, na Ásia e no Egito a cor azul adornava templos e portais, representando o deus Amun que voava através do céu e protegia do mal há pelo menos 2500 anos. Catedrais da Idade Média como a de Saint-Denis e Charles eram adornadas por vitrais e tijolos coloridos por um azul extremamente profundo.


Portão de Ishtar


A RELIGIÃO DO AZUL


A Roma antiga também se vestia com o “índigo”, onde era considerada a cor do luto e dos bárbaros. Os celtas e os alemães vestiam as roupas e pintavam os seus cabelos de azul para assustar os seus inimigos na guerra. Os germânicos o apelidaram de “blavus” ou “blau” (que se tornaria o conhecido “blue) e os árabes o chamavam “azureus”.

As igrejas bizantinas foram cobertas de azul, que vestiu a fé cristã com os mantos azulados dos santos, de Cristo e de Maria Virgem. Vestiu também a fé islâmica. Mas apesar de toda a corte celestial se vestir de azul, ele ainda foi bravamente renegado pelos ricos, pela nobreza e pelo clero (que se vestia de vermelho), tendo sido relegado à cor da espiritualidade e da harmonia que cabia aos pobres e aos humildes saídos do povo.

Atravessando os séculos, somente durante a Idade média dentre 1130 a 1140 quando em Paris o abade Suger reconstruiu a Basílica de São Denis,  foi que o azul pode reinar outra vez dentre os altares reais. Ele instalou vitrais coloridos com cobalto que, combinados com a luz do vidro vermelho, encheram a igreja com uma luz violeta azulada. A igreja tornou-se a maravilha do mundo cristão, e a cor ficou conhecida como o “bleu de Saint-Denis “. Nos anos que se seguiram ainda mais elegantes vitrais azuis foram instalados em outras igrejas, incluindo na Catedral de Chartres e Sainte-Chapelle em Paris.





DEUS SALVE O ULTRAMARINO


Extraído diretamente do lápis-lazúli, chegamos ao ultramarino com artistas e retratistas do século XII a venerar Nossa Senhora com o novo pigmento. Santidade, humildade e virtudes profundas.


A realeza enfim incorpora o azul quando o rei da França Luis IX (conhecido como Saint Louis - 1214-1270) decide vestir-se regularmente com esta cor, levando as outras realezas da europa a incorporar a mesma cor. Com as suas variações e violeta e azuis-esverdeados. O azul torna-se assim a cor dos ricos e poderosos de toda a nação européia - o uso de azul enfim implicava alguma dignidade e alguma riqueza.



Além do ultramar, vários outros blues foram amplamente utilizados na Idade Média e posteriormente no Renascimento. A azurita, uma forma de carbonato de cobre, era frequentemente usada como substituto do ultramar. Os romanos usavam-no sob o nome de “lapis armenius”, ou pedra armênia. Os britânicos chamavam-no de azul de Amayne, ou azure alemão. Os próprios alemães a chamavam de “bergblau”, ou pedra da montanha. Foi minado em França, Hungria, Espanha e Alemanha, e fez um azul pálido com uma pitada de verde, que era ideal para a pintura de céus. 



O “RENASCIMENTO” DO AZUL


Os artistas da Renascença se tiveram que adaptar o Azul ao Vermelho para o novo estilo que viria a revolucionar as artes plásticas no mundo - Ticiano, Tintoretto, Veronese, Raphael, El Greco, Van Dyck, Rubens e Rembrandt, dentre tantos outros harmonizaram este tom com o branco e o chumbo criando o “Chiaroscuro” num jogo nunca visto antes de Luz e Sombras. As tintas do Ultramarino valia então mais que o ouro visto o seu valor nas artes plásticas e a raridade do tom específico. O pintor alemão Albrecht Durer chegou a pagar doze ducados – o equivalente a quarenta e uma gramas de ouro – por apenas trinta gramas de ultramar.


A sua importância e contribuição é tão grande para as artes que algumas obras encontram-se eternizadas em museus do mundo todo, como em “A Madona”, entronizado com os santos por Rafael no Metropolitan Museum em Nova York.



A DINASTIA AZUL 


A ascensão dos azuis invadiu a azulejaria e as porcelanas pelo mundo todo – da China ao Oriente Médio, praticamente nenhuma cultura sobreviveu ilesa à sua influência e domínio.


Os pintores Impressionistas destrincharam as cores com as descobertas do químico francês Michel Eugene Chevreul publicou a sua Teoria das Cores em 1828 e publicada em 1839. Ele demonstrou que a colocação de cores complementares, como azul e amarelo-laranja ou ultramarino e amarelo, um ao lado do outro aumentava a intensidade de cada cor “até o apogeu de sua tonalidade”. Claude Monet e Renoir esbaldaram-se de azuis e ensinaram ao mundo as suas técnicas revolucionárias com os compostos de misturas de pigmentos brilhantes, incluindo azul cobalto, azul celeste, ultramarino sintético, verde esmeralda, verde Guillet, amarelo cromo, vermelhão e vermelho vivo. O azul era uma cor favorita dos pintores impressionistas.


Van Gogh fez poesia com a cor Azul e deu a sua própria definição do tom para o seu irmão - “O céu azul escuro é manchado com nuvens de um azul ainda mais escuro que o azul fundamental de cobalto intenso, e outros de um azul mais claro, como o branco azulado da Via Láctea. … o mar era muito escuro e ultramarino, a costa uma espécie de violeta e de vermelho-claro como eu a vejo, e nas dunas, alguns arbustos de azul prussiano.”




O POP É AZUL


No início do século XX, o mundo inteiro já reconhecia o poder do Azul como um forte poder emocional dentre as cores.


A cor avançava seduzindo grupos de altíssima relevância para a história como um todo – dentre eles Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Mark Rothko e Henri Matisse. O Expressionismo invade o globo e adota o azul em sua manifestação mais pura, como um instrumento e sem intenções de retratar emoções nem idéias.

A moda moderna, com a intervenção da Revolução Industrial e sua produção em massa, abandona o preto como Senhor absoluto e adota o Azul para colorir os ternos de homens poderosos, políticos, estadistas e grandes empresários. Nos Estados Unidos e na Europa, pesquisas apontavam a absoluta preferência da cor pelos entrevistados. A revista Vogue elege o Azul como preponderante nas coleções de Alta Moda e a partir dos anos 1950, eles se tornaram parte essencial do uniforme dos jovens no Estados Unidos, Europa e ao redor do mundo.



A partir dos anos 1950, eles se tornaram parte essencial do uniforme dos jovens no Estados Unidos, Europa e ao redor do mundo. Com o surgimento da World Wide Web, o azul tornou-se a cor padrão para hiperlinks em navegadores gráficos (embora na maioria dos navegadores os links ficam roxos se você visitar o destino), para tornar a presença deles no texto óbvia para os leitores.



Fonte principal: https://www.hisour.com/pt/blue-colour-in-history-and-art-26626/


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